Pós-Graduação em Enfermagem de Saúde Mental

Pós-Graduação em Enfermagem de Saúde Mental

Saúde Mental em Contexto Escolar

Espaço criado no sentido de apoiar as aulas teoricas da PG em Enfermagem de Saúde Mental, da Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico de Setúbal. É uma Unidade curricular teórica que centra o seu enfoque na escola como sistema e espaço de intervenção profissional do enfermeiro, enquanto elemento activo do programa de saúde escolar.

terça-feira, 20 de Novembro de 2007

Violência em Contexto Escolar












Bullied to death: They committed suicide because of bullying





Columbine High School Massacre - 4/20/99 - Cause: Bullying



O CORREIO DA EDUCAÇÃO (Abril de 2007)

Bullying e a violência nas escolas

As escolas são instituições que simultaneamente emergem de uma determinada cultura e assumem a sua difusão. Ideologias, factores socio-economicos moldam e dão forma ao ambiente de aprendizagem.
A escola é neste momento, o agente fundamental que cada vez ocupa mais tempo na vida do Homem, ganhando cada vez mais peso na formação socio-cultural do indivíduo. A sua frequência vai promover, nas crianças e adolescentes, o desenvolvimento das competências sociais, pois é aqui que ela mais interage, quer com os colegas, quer com os técnicos educativos e assume regras e normas. É sem dúvida, o reflexo do sistema social quer ao nível dos valores e ideologias dominantes na sociedade. Depois da família, a escola integra e amplia a educação dada pelos pais ou encarregados de educação.
A escola assume, portanto, um papel decisivo na formação do sujeito, mas parte do tempo que passa na escola passa-o nos recreios. É no recreio que a criança interage com mais intensidade com os seus pares, desenvolve amizades e também "ganha" alguns inimigos.
É nestas relações menos amistosas que por vezes se desencadeiam comportamentos de alguma agressividade e violência, e justamente tomam lugar nos recreios (Blatchford, 1989; Ross & Ryan, 1991; Whitney & Smith, 1993).
O fenómeno da agressividade tem desencadeado o interesse de vários estudiosos das mais diversas áreas, todos são unanimes em afirma que o Homem traz consigo um impulso agressivo. A agressividade é um comportamento emocional que faz parte da afectividade dos seres humanos, sendo algo de inato e natural. No entanto as crianças
No entanto a forma de reagir á agressividade varia de sujeito para sujeito, de sociedade para sociedade, de cultura para cultura com as suas crenças, valores e costumes.
Os actos de violência podem contudo ser aprendidos por meio da observação, ou seja, podemos considerá-los como um subproduto da reunião e interacção das pessoas em grupo (Wrightsman 1972).
A psicologia ao nível da agressividade deu o seu contributo através de diferentes teorias e correntes.
Na década de 1930, Miller e Dollard, propuseram a hipótese de frustração-agressão, sendo a agressão explicada como o produto de um frustração ou de um impedimento a algo desejado.
A agressividade é um fenómeno de reacção efectiva necessária para a adaptação social numa luta pela vida. Sem esta capacidade agressiva o Homem não resistirá ao meio onde vive. Ela é indispensável para conquistar um espaço no grupo social, fazendo face á concorrência e á competição. È a base construtiva de toda a actividade, de todas as realizações dignas do Homem, quer seja na arte, na industria ou outros diversos sectores.
A actividade e expressão da agressividade, são na realidade expressão de uma tendência e de um interesse, tendo em vista a criação e a manutenção de um ambiente na luta contra os diversos obstáculos, sobretudo os afectivos que se opõem ao indivíduo. Para Symonds, a agressividade traduz-se como uma “auto-afirmação dinâmica”.
A. Ramos (1963) associa a capacidade de atacar a uma desadaptação a um comportamento reactivo, como um movimento simbólico de raiva, ódio e fuga evasiva perante situações potencialmente perturbadoras de equilíbrio do sujeito.



Modelos Biológicos
“a agressão é um fenómeno natural ao serviço da evolução e da adaptação das espécies regido por regras bem definidas do jogo filogenético"


A agressão, segundo Lorenz, estará ao serviço da vida e não da morte como lhe parecia que pretendia Freud, sendo aliás paradoxal e desprovido de sentido, do ponto de vista biológico, o próprio conceito de instinto de morte (A. Bracinha Vieira e L. Socczka, 1981).
Por outro lado, se é difícil comprovar o caracter inato da agressividade, como defendia Lorenz e outros etólogos; actualmente, existem certos estudos neuropsicológicos e neurológicos em geral, sobre a excitação de alguns núcleos cerebrais e do sistema nervoso em geral que, segundo se julga, estão na base das respostas agressivas.

Modelos Psicológicos

As explicações freudianas ajudam a interpretar a agressividade. É necessário que a evolução da libido infantil (fase oral durante os primeiros 14 a 16 meses, fase anal até aos 3 anos, e fase da organização fálica dos 3 aos cinco anos) seja acompanhada pela formação e desenvolvimento afectivo da criança e, também, por uma influência adequada do meio envolvente.
Quando este equilíbrio não se realiza, o dinamismo instintivo, principalmente de oposição de reacções ás condições ambientais, interfere num mecanismo essencialmente agressivo. Sem o controle pela sublimação, pela repressão ou outro mecanismo de defesa, a criança não pode evitar a manifestação da agressividade.
Para Freud é durante o período edípiano, no qual a criança rivaliza com a figura relacional paterna do sexo oposto, que se implementa a formação da instância psíquica do superego. É uma fase de auto-formação afectiva do desenvolvimento psicossexual da organização da personalidade por vezes exagerada, que conduz facilmente ao dinamismo agressivo.
Adler e a sua escola atribuem a agressividade ao protesto viril e á super-compensação dos sentimentos de inferioridade.
A noção de pulsão agressiva foi, pela primeira vez, descrita por Adler (1908). Freud só a definiu mais tarde (1920) em termos de pulsão agressiva e de morte. Contudo, muitos psicanalistas não admitem o instinto de morte.

As teorias da aprendizagem em geral, denotam uma postura diferente. A agressividade será uma conduta aprendida; mediante a aprendizagem se produz ou reprime-se a agressividade. Segundo Bandura e Walters, uma relação paterna ou filial distante, em ambientes familiares hostis, a criança segue, maioritariamente, uma conduta, essencialmente, agressiva.

A conduta agressiva na criança é considerada por vários autores, como acontecimento secundário ás frustrações e a carências afectivas, perante sentimentos de perigo ou de ameaça permanente, no seio de uma família patogénica. Pode se referir a este propósito os estados ansiosos que acompanham o medo das brutalidades ou repressões parentais ou, simplesmente, em situações de jogo frustrante com os amigos e colegas da escola.

A agressividade pode tomar diferentes formas, segundo a idade e manifestar-se em várias dimensões: amuo, insucesso escolar, quebra de objectos, de vidros, etc. Por outro lado manifesta-se com violências, reportadas aos irmãos mais jovens e camaradas de escola, atitudes de desconfiança e hostilidade, agressividade difusa e sem ansiedade, segundo a conduta de organização psicopática ou ansiedade de tonalidade psicótica.

Nos últimos anos tem havido um aumento do interesse sobre o fenómeno bullying, mais concretamente no contexto escolar. Tornou-se, de facto, um problema que veio a atingir vários países, sendo os estudos publicados provenientes de países desenvolvidos. É um problema que assume efeitos nefastos no ambiente social das escolas traduzindo-se pelo medo de algumas crianças em frequentá-la, podendo comprometer o progresso académico-social dos alunos.

Segundo a definição de Tattum (1992), bullying é a intenção, o desejo consciente de magoar alguém colocando-a em stress. Portanto qualquer sujeito que tencione magoar alguém é por definição um Bully.

Dan Olweus (1993) definiu o bullying como um “comportamento negativo” com o objectivo de magoar e maltratar alguém, repetidamente e em diversas ocasiões.

David Farrington (1993), por sua vez, acrescenta que o bullying é “uma repressão de carácter repetitivo, física ou psicológica, de alguém mais ‘poderoso’ sob alguém mais ‘fraco’”.

O Bullying pode assumir duas formas: a física e a psicológica, este comportamento negativo poderá simplesmente traduzir-se por um assopro, um insulto ou gesto ofensivo, gozar, ameaçar, assustar, agredir/bater ou roubar, adicionalmente aos ataques directos, o bullying pode assumir uma forma indirecta, assim como espalhar boatos acerca de uma determinada pessoa ou exclusão social.

No sentido de se diferenciar o bullying de actos de violência e agressividade, Dan Olweus, sugere que o bullying surge apenas quando existe um “desequilíbrio de forças”, ou seja, o agressor ou grupo de agressores são mais fortes do que o sujeito alvo, ou melhor, a vítima.

Podemos apontar duas considerações em que podemos identificar a prática de bullying. Uma delas é direccionada para os sentimentos do alvo agredido, o sentimento de opressão que a vitima de bullying invariavelmente sente. O segundo aspecto remete-nos para o bully em si, certamente poderíamos esperar um sentimento de glória e triunfo pelo prazer do acto que cometeu. Pelo contrário, Olweus afirma que o bully fica satisfeito por ver a vitima a chorar ou em sofrimento, mas com o passar do tempo poderá desencadear-lhe sentimentos de remorsos desses mesmos actos.

Olweus (1992) identificou uma associação entre vitimização no 2º Ciclo com um défice no domínio da auto-estima, com uma predisposição para depressão aos 23 anos. No entanto, não foram identificados quaisquer dados relativos a psicopatologia.

Kochenderfer e Ladd (1996) realizou um estudo longitudinal em crianças do ensino primário e identificou uma evidencia de vitimização pelos colegas que veio consequentemente a originar uma inadaptação destas crianças.

Rigby (1998) realizou um estudo longitudinal durante três anos, em crianças do ensino secundário. Este estudo revelou a existência de uma ligação causal entre vitimização e baixos níveis de bem estar.

PORTUGAL

O fenómeno do bullying foi descrito em Portugal por Ana Tomás e Beatriz Oliveira em 1992-93, através de um projecto anti-bullying na Universidade do Minho, em Braga, no Instituto de Estudos da Criança (Almeida, Pereira & Valente, 1993; Mendonça, Neto, Pereira & Almeida, 1997). Um estudo feito entre o 1º e 2º Ciclo da escolaridade obrigatória a aproximadamente a 6200 alunos, de escolas estatais de zonas urbanas, suburbanas e rurais do distrito de Braga. Aquilo que se observou foi que a problemática revelada coincidia com a realidade descrita de estudos anteriores fora do país, com especial semelhança dos países latinos, nomeadamente com Espanha e Itália. Aspectos socio-culturais chamaram á atenção para trajectórias precoces de desajustamento grupo de crianças de risco relacionadas com o aumento do bullying entre colegas. Resultante a este estudo, surgiu um programa de intervenção ao nível de treinos sociais, actividades integradas nos currículos e melhorias dos espaços de recreio.



Artigos de Interesse


terça-feira, 2 de Outubro de 2007

A Criança, a Escola e a Saúde Mental


Depois da família, a escola é o agente mais importante da socialização da criança. Com a entrada na escola, a criança entra num contexto social mais amplo e diferenciado. Especialmente para as crianças que nunca puderam frequentar a creche ou o jardim infantil, a escola primaria representa a primeira experiência de relações mais amplas e constantes fora do círculo familiar, a primeira relação com o grupo de colegas e com figuras de adultos estáveis diferentes das familiares.
Durante um grande período da vida, todas as crianças e jovens são acolhidos pela escola, e é neste espaço de tempo em que se desenvolvem fisicamente, cognitivamente e se desenvolvem competências fundamentais para a formação da personalidade, a escola irá, portanto, continuar, integrar e ampliar a obra educativa dos pais. Depois da família, é a escola que exerce a influência máxima.

A escola é uma organização complexa e com níveis hierárquicos de funcionamento
Á Escola esperam-se novos desafios:
• Transmissão de conhecimentos
• Educar para os valores
• Promover a saúde
• Actividade cívica dos alunos
• Promoção de autonomia

A educação falha se não toma cm consideração todas as interligações da criança com o ambiente, se está, distanciada da sua vida real, das condições subjectivas, da história precedente do desenvolvimento de cada aluno, das suas capacidades e interesses.
A etapa da infância e adolescência assume extrema importância e vulnerabilidade, estes jovens vão se encontrar num processo de formação de hábitos, crenças e competências, que irão permitir desenvolver o sujeito como pessoa e cidadão. Se bem que aos seis anos o desenvolvimento mental e social da criança já seja adequado para enfrentar a experiência escolar, a entrada na escola representa sempre um trauma afectivo. A criança que nunca frequentou a creche entra num mundo desconhecido, onde vigoram regras e relações nunca antes experimentadas. De centro da atenção familiar, ela torna-se num anónimo entre vários. Agora deve contar com os outros.
A criança em idade escolar continua a depender dos pais, quer material quer emotivamente e, simultaneamente, torna-se mais ampla a área das relações com o grupo dos colegas. A escola representa o lugar privilegiado onde ela tem a oportunidade de experimentar novas relações interpessoais que a ajudam no seu processo de socialização e onde pode exercer uma certa independência própria. Aqui tem a ocasião de ser aprovada ou desaprovada. Toma contacto com outras crianças, que lhe dão a oportunidade de rever as suas relações primárias com os irmãos e as irmãs.
Há crianças que podem encontrar dificuldade em fazer amizades, porque transferem para as novas relações com os pares as dificuldades e os conflitos do seu ambiente. A este respeito é muito importante a acção do professor acompanhando cada criança, intervindo no momento oportuno, tranquilizando a criança. Ele (o professor) tem uma função determinante no êxito ou insucesso escolar da criança. Pode organizar as emoções da criança e canalizá-las com vista à realização de determinadas metas escolares.
As novas amizades e o grau de aceitação de que goza podem reforçar na criança a sua auto-consideração fazendo-lhe compreender que é capaz de amar e que consegue fazer-se estimar e amar por seu lado; pode diminuir o seu sentimento de culpa e aumentar a confiança em si própria e nos outros. Além disso a criança descobre as suas insuficiências e a necessidade de se completar na relação com os outros, descobre o prazer da solidariedade do grupo e é levada a sublimar e superar sentimentos de inveja e de ciúme. A criança torna-se, cada vez mais, capaz de se pôr em pontos de vista diferentes do seu, e isto torna possível formas de colaboração, além das do jogo, em actividades de exploração, de construção, onde é necessária uma actividade de projecção colectiva.
O primeiro encontro da criança na escola é com o professor. Ele recria uma nova relação afectiva, caracterizada frequentemente pela ambivalência. Em muitos aspectos a relação criança-professor copia a relação filho-pais, sobretudo na escola primária; na escola secundária o ambiente assemelha-se menos ao familiar.
O professor constitui um modelo notável de identificação, fora da família e o processo de identificação é certamente favorecido pelo facto de que a criança, na escola primária, tem um único professor. Contudo, enquanto que uma parte da turma se identifica mais completamente com o agente socializador, a outra parte identifica-se mais com o grupo dos pares.
O professor, numa sociedade onde a família está em crise e quase ausente da socialização da criança, substitui-se aos pais. Ele conduz o aluno a assumir novas atitudes mentais, novos valores, novos conhecimentos e novas motivações.
Na presença dos factores socioculturais que influenciam no rendimento escolar, dos problemas e conflitos psicológicos ligados à dinâmica familiar, a escola em vez de estar adequada à tarefa de aplanar as desigualdades iniciais do ambiente social e de ir ao encontro das necessidades dos conflitos psicológicos dos alunos, revela-se frequentemente uma instituição que contribui para a desadaptação.
A escola, que deveria tentar promover os que têm mais necessidade dela, tende inversamente a expeli-los porque embaraçam o trabalho dos «normais» e implicam um maior empenhamento do professor com o ensino individualizado; e também porque os que já sabem teriam de outra forma, sacrificar tempo para esperar que crescesse o nível dos que não sabem e que apresentam dificuldades em aprender.
Como já foi referido, um dos períodos mais dramáticos na infância corresponde à entrada na escola, especialmente se não frequentou a pré-primária, podemos constar que existem uma crise de componentes ao mesmo tempo psico-fisiológicos e psico-sociais.
Do ponto de vista físico coincide com o fim da primeira dentição, o alongamento da estrutura que torna a criança mais delgada, mais frágil, pelo menos de aspecto, e mais receptiva ás doenças contagiosas.
Do ponto de vista mental, o interesse da criança que se concentrava em si própria passa a incidir sobre as coisas, sobre o mundo exterior e sobre o desejo de compreender as intenções das pessoas. A criança passa a preocupar-se com a opinião dos outros e procura entrar em relações com os seus semelhantes, dando-se portanto uma modificação mental.
A escola deve ser acolhedora, presentemente a escola já deixou de ser representada pelo professor austero, exigente, que nunca sorria, aliás já está (a escola) cada vez mais consciente do seu papel social. Já não se dedica exclusivamente ao ensino e engloba uma série de actividades escolares capazes de atrair a criança, próprias dos seus interesses e especialmente de interesse social. A criança sabe que na escola pode brincar com os colegas, participa em festas e outras actividades de carácter mais lúdico.
No entanto, é sobretudo à família quer compete preparar as crianças para esta nova situação, e sobre isso convém dar aos pais conselhos apropriados. Acontece muitas vezes, quando a criança antes de entrar na escola se porta mal, frequentemente se houve "quem dera o momento de poder meter-te na escola" ou "quando fores para a escola logo vês!". Sugere-se assim à criança a ideia de que a escola é um sítio terrível, onde não se toleram gracejos, onde não se pode fazer nada do que se quer, acima de tudo um local onde se castiga. Tudo isso permanece muito confuso na criança e é justamente essa confusão, muito pouco, representativa, muito pouco intelectualizada, com falta de afectividade, que age, poderosamente sobre a disposição da criança.
Como forma de apoio à criança com vista à sua integração e acolhimento no meio escola, há que ter em atenção diferentes instâncias facilitadoras do processo de socialização: confiança, autonomia, iniciativa empatia e auto-estima.
a) Confiança - é a crença nos outros que permite à criança aventurar-se à acção, sabendo que as pessoas de quem depende lhe proporcionarão o apoio e o encorajamento necessários. "Estar presente e ser autentico" (João dos Santos).
b) Autonomia - é a capacidade de independência e de exploração, embora necessite de uma ligação muito estreita com os educadores (pais e professores), a criança também precisa de desenvolver uma percepção de si própria como pessoa distinta que é capaz de fazer as suas escolhas e de realizar coisas para si própria
c) Iniciativa - é a capacidade de que a criança tem de começar uma tarefa e de a levar até ao fim. É a capacidade de que a criança tem de começar uma tarefa e de a levar até ao fim, de avaliar uma situação e de actuar de acordo com o entendimento que tem dessa situação.
d) Empatia - é a capacidade que permite à criança compreender os sentimentos dos outros por os poder relacionar com sentimentos que ela própria já experimentou. os adultos reforçam a capacidade de empatia se corresponderem e reconhecerem os sentimentos das crianças e se as encorajarem a participar e cooperarem com os pares.
e) Auto-estima - a confiança positiva na nossa própria capacidade de dar contributos positivos a outras pessoas ou situações, um núcleo forte de orgulho interior - é uma atitude que pode sustentar as crianças nas dificuldades e pressões das suas vidas. A auto-estima desenvolve-se quando a confiança, a autonomia, a iniciativa e a empatia estão firmemente enraizadas e quando as crianças têm oportunidades de realizar experiências com sucesso. Ironicamente, são as experiências negativas proporcionam as melhores alturas para construir a auto-estima, se os adultos tiverem paciência necessária para adoptarem o ponto de vista da criança e encorajarem a resolução de problemas.

As experiências de movimento não são apenas importantes para o desenvolvimento físico das crianças, são-no também para o fortalecimento das suas capacidades sociais e cognitivas. Por exemplo, ter êxito nas actividades de movimento aumenta o sentimento de competência e de auto-estima da criança. Além disso, as actividades de movimento proporcionam ocasiões para a prática de aptidões valiosas como as capacidades de prestar atenção de seguir instruções e de relacionar linguagem com movimento - todas elas capacidades que contribuem para as aptidões académicas da criança.
Torna-se necessário um trabalho dinâmico e permanente a nível institucional e transdisciplinar, onde profissionais do ensino, da saúde, a própria família, comunidade, poder local, trabalhem em parceria para proporcionar as melhores condições para um ambiente de aprendizagem.

Os programas de saúde escolar desenvolvidos nas instituições de ensino podem ajudar os estudantes a responder a um conjunto de riscos que possam comprometer um desenvolvimento saudável. A educação, para além do papel formal de “ensinar” terá que: ir de encontro a estilos de vida saudável, promover acções para o cuidado e protecção das crianças e jovens e criar mecanismos para a construção de uma cultura de saúde.
Um programa de saúde escolar a promoção e a prevenção devem considerar-se como uma estratégia fundamental e indispensável para o programa. A estratégia é o meio para atingir objectivos que responde à pergunta que é “como fazer?”.


A Saude Mental e a Escola

Por definição entendemos que a saúde mental é a capacidade de adaptar-se às situações diárias ou dificuldades que a vida quotidiana apresenta.


A saúde mental de uma criança é um processo constante de adaptação às suas próprias transformações biológicas, crescimento, e às mudanças psicológicas de forma a entender o seu mundo e o mundo que o rodeia ao longo das diferentes idades em função das capacidades que vai adquirindo e decorrente das relações que estabelece com o exterior.
A saúde mental é um processo de adaptação que depende de factores endógenos e exógenos. Se este processo se altera, por diversas razões, pode produzir alterações no comportamento ou transtornos mais ou menos graves.
A abordagem da saúde mental passa por uma dimensão integral onde se consideram os aspectos biológicos, psicológicos e sociais, que modificam o estado de saúde de uma criança e a sua qualidade de vida depende de muitos factores, tais como o comportamento humano, onde a culturalidade necessita ser compreendida e respeitada.
As condições de vida como a pobreza, desigualdade, discriminação, falta de equidade são factores que produzem dano psicossocial, causando um grande impacto na família que é a unidade fundamental da sociedade e meio natural onde se desenvolvem as crianças. Estas são um grupo vulnerável, devem ser protegidos, ajudados e educados por princípios de convivência sã, ambiente de respeito, num contexto construtivo de valores, virtudes e tolerância.

Existe predisponência hereditária para a doença mental que se adquirem e desenvolvem decorrentes da interacção com determinados ambientes e que produzem alterações ou transtornos mentais em crianças/jovens, bem como causa desconhecidas.

A OMS – Health for all – estabeleceu metas de saúde para os próximos anos, tendo a promoção da saúde e os estilos de vida saudáveis uma abordagem privilegiada no ambiente escolar, e os serviços de saúde um importante papel na promoção, prevenção, diagnostico e tratamento, no que se refere à saúde das suas crianças.


Programa Nacional de Saúde Escolar
Despacho nº 12.045/2006 (2ª série) Publicado no DR nº 110 de 7 de Junho

Evolução
1901 - Inicio da saúde escolar
1971 – Centros de Medicina Pedagógica (Lisboa, Porto e Coimbra)
1993 – extinção dos Centros de medicina pedagógica, ARS
1994 - Parceria entre Ministérios da Educação e da Saúde, visando a colaboração activa entre as escolas e centros de saúde.
assumpção de responsabilidades complementares face à promoção da saúde da
comunidade educativa2002 – Ministério da Saúde com a tutela da Saúde Escolar – Centros de saúde
Plano Nacional de Saúde – 2004 a 2010
PNS – Plano Nacional de Intervenção Integrada sobre Factores Determinantes da Saúde Relacionados com Estilos de Vida. Visa reduzir a prevalência dos factores de risco de doenças crónicas não transmissíveis e aumentar os factores de protecção relacionados com os estilos de vida. As actividades preconizadas deverão ser orientadas para os determinantes de saúde, como a alimentação, a actividade física e a gestão do stress e os factores de risco como o tabaco e o alcool, entre outros, a abordar de forma integrada intersectorial e multidisciplinar, onde a articulação com o sector da educação é indispensável. (Programa Nacional de Saúde Escolar, 2006).


O Programa Nacional de Intervenção Integrada sobre Factores Determinantes de Saúde relacionados com os estilos de vida inscreve-se no PNS e visa reduzir a prevalência dos factores de risco de doenças crónicas não transmissíveis e aumentar os factores de protecção relacionados com os estilos de vida. As actividades que preconiza deverão ser orientadas para determinantes de saúde, como alimentação, a actividade física e a gestão do stress e os factores de risco como o tabaco e o álcool, entre outros, a abordar de forma integrada, intersectorial e multidisciplinar, onde a articulação com o sector da educação é indispensável.
Programa Nacional de Intervenção Integrada sobre Factores Determinantes de saúde
- Alimentação
- Actividade física
- Gestão do stress
- Tabaco
- Álcool

Escolas Promotoras de Saúde



Todas as escolas deverão ser promotoras da saúde, no entanto para integrar a rede de EPS deverão distinguir-se pela inovação, cultura de desenvolvimento individual e organizacional, bem como pela implementação efectiva dos princípios e das praticas da promoção da saude, devendo para isso, criar mecanismos de avaliação do processo.
A estratégia de Escola Promotora de Saúde surge no final dos anos 80, como parte das mudanças conceptuais e metodológicas que incorporam o conceito de promoção da saúde na saúde pública, estendendo-o ao mundo escolar. A promoção da saúde, como estratégia eficaz para melhorar a saúde e a qualidade de vida, teve um grande desenvolvimento com a Carta de Ottawa (Canadá, 1986), que define o conceito de Promoção da Saúde como “...o processo destinado a dotar os indivíduos para exercerem um maior controlo sobre sua saúde e sobre os factores que podem afecta-la... reduzindo os factores que podem resultar em risco e favorecendo os que são protectores e saudáveis... A saúde é o resultado dos cuidados que cada indivíduo dispensa a si mesmo e aos demais, da capacidade de tomar decisões, de controlar sua própria vida e de garantir que a sociedade em que vive ofereça a todos os seus membros a possibilidade de gozar de um bom estado de saúde.”
A partir da Carta de Ottawa, surgiram outros compromissos que reafirmam os seus princípios (Declaração de Adelaide, 1998; Declaração de Sundsvall, 1991; Declaração de Bogotá, 1992; Declaração de Jakarta,1997; Declaração do México, 2000; Declaração do Chile, 2002).
As Escolas Promotoras de Saúde, tem três componentes relacionados entre si:
1) Educação para a saúde integral, incluindo o desenvolvimento de competências para a vida;
2) Criação e manutenção de ambientes físicos e psico-sociais saudáveis;
3) Oferta de serviços de saúde, alimentação saudável e vida activa.

A educação para a saúde integral responde às necessidades do aluno em cada etapa do seu desenvolvimento. Visa a saúde como uma construção social, abordando a inter-relação dos problemas de saúde com os seus factores determinantes, dentro de cada contexto. Incorpora a Educação para Saúde em nível curricular e como parte do projecto institucional. Utiliza todas as oportunidades educativas a nível formal e informal para promover a saúde. Promove a reflexão e a análise crítica da informação; facilita a tomada de consciência dos estudantes e da comunidade educativa como um todo. Procura desenvolver novos conhecimentos e habilidades que contribuam para a adopção e manutenção de estilos de vida saudáveis, por meio de técnicas participativas e actividades significativas que possam transcender o âmbito escolar.
A criação e manutenção de ambientes físicos e psicossociais saudáveis implica a promoção de um ambiente escolar físico seguro, limpo e com estrutura física adequada; com um ambiente psico-social que promova relações interpessoais positivas, sem agressão, violência, álcool ou drogas; com igualdade nas questões de género, estimulante para todos os seus membros e que favoreça a aprendizagem. Este componente promove a escola como um espaço de trabalho saudável, tentando melhorar, por meio do diálogo e do consenso, as condições de trabalho e estudo.
A oferta de serviços de saúde, alimentação saudável e vida activa está direccionada à detecção e à prevenção integral de problemas de saúde, através da atenção precoce e acompanhamento correspondente e apropriado. Este componente pretende fortalecer o vínculo entre a escola e a equipe de saúde, para que as actividades se complementem e se reforcem mutuamente. Também implica na articulação entre os sectores da saúde e da educação para definir as necessidades, os problemas de saúde e os métodos pertinentes e apropriados para abordá-los.
Na grande maioria das escolas, existem refeitórios e cantinas escolares, mas é necessário avaliar o tipo de alimentos que se oferecem aos alunos, procurando garantir, na oferta, opções para que possam escolher alimentos saudáveis. Ao mesmo tempo, a escola é o lugar ideal para promover uma vida activa, que faz parte do desenvolvimento de estilos de vida saudáveis.

A Rede Europeia de Escolas Promotoras de Saúde (REEPS) foi constituída para promover, através do Gabinete Regional para a Europa da Organização Mundial de Saúde (OMS), um grupo de escolas modelo que demonstrassem o impacto da promoção da saúde no meio escolar.
O desenvolvimento de uma escola promotora de saúde (EPS) assenta nos seguintes princípios:
• A promoção da saúde é um processo de desenvolvimento permanente;
• O processo educativo e a promoção da saúde contribuem para o desenvolvimento de capacidades e aquisição de competências de cada indivíduo para confrontar-se positivamente consigo próprio e com o meio, construir um projecto de vida, desenvolver hábitos saudáveis e exercer plenamente a cidadania;
• O envolvimento dos diversos elementos da comunidade educativa, valorizando a participação activa dos adultos de referência.


Objectivos:
• Debater problemas pertinentes da promoção da saúde na escola;
• Reconhecer a prevenção como um forma de luta contra a doença;
• Desenvolver trabalhos / campanhas de divulgação da prevenção de doenças;
• Contribuir para a formação dos professores numa perspectiva de educação para a saúde;
• Permitir a troca de experiências entre os docentes das diferentes área disciplinares;
• Promover activamente a auto-estima de todos os alunos pela demonstração de que cada um possui um potencial susceptível de desenvolvimento e aperfeiçoamento, e gerador de uma melhor qualidade de vida;
• Desenvolver boas relações entre adultos e jovens e dos jovens entre si, no dia a dia da escola;
• Clarificar os objectivos sociais da escola para jovens e adultos.
• Proporcionar desafios estimulantes para todos os alunos através de um plano de actividades;
• Utilizar todas as oportunidades para melhorar o meio físico envolvente da
escola;
• Desenvolver laços entre a escola, família e a comunidade;
• Promover activamente a saúde e o bem-estar da comunidade escolar;
• Promover activamente a importância do papel do pessoal docente e não docente, enquanto adultos - referência, em questões ligadas à saúde;
• Considerar o papel importante das refeições escolares relativamente ao desenvolvimento da educação para a saúde;
• Reconhecer o potencial dos serviços especializados da comunidade para aconselhamento e suporte na educação para a saúde;
• Envolver os pais/encarregados de educação na problemática da Educação para a Saúde;
• Criar estruturas de acompanhamento/aconselhamento dos alunos.

Uma escola promotora de saúde é caracterizada como:
• uma escola que reforça constantemente a sua capacidade de se constituir como setting saudável para viver, aprender e trabalhar (OMS 1998);
• que promove a saúde e a aprendizagem com todas as ferramentas que tem à sua disposição; reúne profissionais de saúde e da educação, professores, estudantes, pais e membros/líderes da comunidade num esforço conjunto para promover a saúde;
• que pode favorecer a criação de um ambiente escolar saudável, educação escolar para a saúde e criação de serviços de saúde nas escolas, numa perspectiva de desenvolvimento de projectos nos quais participem a escola e a comunidade, no âmbito do equilíbrio nutricional e da segurança alimentar;
• que pode melhorar a saúde da população escolar, estudantes, professores e demais funcionários, bem como famílias e membros de comunidade;
• que pode desenvolver trabalhos com os líderes da comunidade para ajudá-los a compreender como a comunidade contribui para a saúde e educação.

Desde os 1950 que as escolas são reconhecidas como um setting popular para a promoção e educação para a saúde.

A OMS estabeleceu um conjunto de guidelines sobre as quais as escolas teriam de trabalhar para que alcançassem o estatuto de escola promotora de saúde, que cobrem seis áreas:
• Construção de políticas públicas saudáveis
• Criação de ambientes de suporte
• Reforço da acção comunitária
• Desenvolvimento de competências pessoais
• Reorientação dos serviços de saúde

A saúde e o bem estar do pessoal escolar é importante para a promoção da saúde na escola. O entusiasmo e o compromisso da população escolar são importantes para o desenrolar dos programas escolares de promoção da saúde. Um ou dois elementos desligados do processo podem comprometer toda a implementação de um programa. No entanto, professores demasiado comprometidos ou pouco apoiados podem encontrar dificuldades em iniciar novos programas (Lister-Sharp, 1999).
A abordagem pelo modelo das escolas promotoras de saúde (EPS) mostrou ter benefícios ao nível de (Stewart-Brown, 2006):
• Ambiente físico e social da escola
• Desenvolvimento da comunidade escolar
• Oferta alimentar
• Oferta de programas de exercício físico

O mesmo autor, refere estudos que encontraram evidência de melhorias ao nível dos comportamentos de saúde, tais como comportamentos relacionados com a ingestão alimentar, bem como evidência de que a abordagem da EPS traz benefícios ao nível do bem estar mental e social, tal como boa auto-estima e diminuição de comportamentos agressivos.
Contudo, não há evidência de que este tipo de abordagem é mais efectiva do que outras abordagens para a promoção da saúde nas escolas.


A Equipa de Saúde

Os técnicos das equipas de saúde escolar são profissionais preparados para apoiar o desenvolvimento do processo de promoção de saúde em meio escolar, que sabem partilhar saberes e encontrar pontos de convergência.
A efectividade das intervenções de saúde escolar dependem da integração da promoção da saúde no currículo, e desenvolvidos ao longo de toda a escolaridade (pré-escolar, ensino básico obrigatório e do ensino secundário.
O sucesso de um programa de saúde escolar passa inevitavelmente pela complementaridade dos intervenientes da equipa multidisciplinar.
Estas parcerias passam pelo poder local, autarquias, associações de pais, segurança social, organizações não governamentais, etc.
As estratégias do PNSE estão assentes em dois eixos: a vigilância e protecção da saúde e a aquisição de conhecimentos, capacidades e competências em promoção da saúde.
O investimento de 1€ na promoção é o equivalente em 14 € ganhos em serviços de saúde no futuro.

O PNSE destina-se a toda a comunidade escolar desde os jardins-de-infância, ensino básico e ensino secundário e instituições com intervenção na população escolar.

Finalidades:
- Promover e proteger a saúde e prevenir a doença na comunidade educativa
- Apoiar a inclusão escolar de crianças com NEE e Necessidades de saúde
- Promover um ambiente escolar seguro e saudável
- Reforçar os factores de protecção relacionados com os estilos de vida saudáveis
- Contribuir para o desenvolvimento dos princípios das escolas promotoras de saúde.


Operacionalização do Plano de Saúde Escolar

A nível regional o PNSE é coordenado pelo responsável regional do programa, designado pela Administração Regional de Saúde que integra a Comissão Tecnico-cientifica de acompanhamento referida.
A nível local, ou seja no centro de Saúde, é o órgão de Direcção o responsável pela implementação dos programas de saúde que pode nomear um coordenador do PNSE a quem competirá a operacionalização e avaliação.
Para dar resposta ás escolas e à comunidade educativa da sua zona de acção serão constituídas as equipas nucleares de saúde escolar necessárias. A equipa deverá ser composta por um enfermeiro e um medico, na base de 24h semanais para cada 2500 alunos distribuídos de acordo com as actividades de cada técnico.
Outros técnicos que integram a equipa:
• Higienista oral
• Técnico de Saúde ambiental
• Técnico de serviço social
• Psicólogo
• Psicopedagogo
• Terapeuta da fala
• Terapeuta ocupacional
• Fisioterapeuta
• Nutricionista

Área de intervenção do programa
Agenda da Saúde escolar

- A saúde individual e colectiva
- A inclusão escolar
- O ambiente escolar
- Os estilos de vida

NEE -Necessidades educativas Especiais

• Sensorial (audição e visão)
• Motor
• Cognitivo
• Fala
• Linguagem e comunicação
• Emocional e personalidade
• Saúde física

NSE - Necessidades de Saúde Especiais
CIF – Classificação Internacional da Funcionalidade

Guia Orientador de apoio ao processo de elegibilidade para efeitos de aplicação de medidas especiais de educação


As Necessidades de Saúde Especiais são as situações que resultam dos problemas de saúde física e mental que tenham impacto na funcionalidade, produzam limitações acentuadas em qualquer órgão ou sistema, impliquem irregularidades na frequência escolar e que possam comprometer o processo de aprendizagem. Nem todas as crianças com NEE têm NSE ou vice-versa.

A equipa de saúde escolar é a interface entre a escola e os serviços de saúde. Por isso sempre que se detecte uma criança com problemas de saúde física ou mental que comprometem as suas aprendizagens a equipe escolar deverá designar um profissional para fazer o seu acompanhamento, conjuntamente com a educação e mobilizar os recursos de saúde necessários para apoiar a sua inclusão escolar.
O profissional de saúde escolar reúne e analisa todos os dados obtidos, cuja proveniência é de varias fontes (pais, professores, medico, enfermeiro, etc) e propõe recomendações de saúde e respectivas adaptações escolares tendo em conta a CIF (Classificação Internacional da Funcionalidade)

Para as crianças que apresentam NSE deverão ser criadas actividades para:
- Avaliar as situações de saúde, doença ou incapacidade, referenciadas pela escola
- Elaborar o PSI (Plano de Saúde Individual) das crianças com NEE e propor inclusão das recomendações de saúde no Programa Educativo Individual (PEI), cuja gestão compete a um docente de apoio de educação especial
- Gerir as situações de doença ou incapacidade, no espaço escolar

O planeamento e implementação de programas no âmbito da Saúde escolar assenta na metodologia de projecto, onde numa primeira fase se identifica o diagnostico de situação, a definição de prioridades, a definição de objectivos, a escolha de estratégias mais adequadas e preparação operacional do programa.


Competências da Enfermeira de Saúde Escolar
(adaptado de Scottsdale School Nurses)

- Conhece as fases de crescimento e desenvolvimento das crianças/jovens
- Identifica e hierarquiza necessidades
- Conhece dinâmicas familiares
- Reconhece processos de mudança
- Detém conhecimentos de saúde publica
- Analisa, interpreta e documenta dados epidemiológicos
- Identifica os problemas, implementa e avalia as actividades
- Promove actividades de prevenção e adesão de estilos de vida saudáveis
- Compreende teorias educativas, metodologias de ensino-aprendizagem
No contexto nacional tem em consideração para a sua prática profissional:
- Competências do Enfermeiro de Cuidados Gerais
- Código Deontológico do Enfermeiro


Papel da Enfermeira Escolar
(adaptado de Colorado Department of Education)


• Assegura que todas as necessidades de saúde dos alunos estão satisfeitas durante a permanência na escola
• Identifica surtos de doenças contagiosas
• Assegura o programa de vacinação
• Desenvolve e implementa programas de saude
• Elemento de ligação entre professores, orgãos de gestão, pais, comunidade e instituições de saúde
• Assegura os primeiros cuidados de saude em situações agudas
• Participa na identificação de crianças com necessidades especiais
• Participa no Exame Global de saúde

A missão do enfermeiro de saúde escolar é a de aumentar o potencial educativo de todas as crianças e jovens promovendo o bem-estar e procurar soluções para os riscos que comprometem ou que criam barreiras para o processo de ensino-aprendizagem.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

- Ainscow, Mel – Necessidades Especiais na sala de aula – um guia para a formação de professores – I.I.E edições Unesco,2000
- BRICKMAN, N. - Aprendizagem activa, Fundação Caloust Gulbenkian, Lisboa, 1991
- Coll,César; (et. al.). Desenvolvimento psicológico e educação - 2: psicologia da educação escolar 2 ed. - Porto Alegre - Artmed - 2004
- Correia, Luís Miranda – Inclusão e Necessidades Educativas Especiais – um guia para educadores e professores – Colecção Necessidades Educativas Especiais, Porto Editora, 2004
- DI GIORGI, P. - Relação entre natureza e cultura - a criança e as suas instituições, Livros Horizonte, Lisboa, 1982
- Forreta, F.Marques, António Manuel, Vilar, Duarte – Educação Sexual no 1º ciclo – um guia para professores e educadores – Texto Editora, 2002
- GARCIA, M. Adelina de Abreu Garcia (1994). Multiprofissionalismo e intervenção – as escolas, os projectos e as equipas. Colecção Perspectivas Actuais, Educação. Porto, Edições Asa
- Magalhães, Teresa - Maus tratos em crianças e jovens. Coimbra: Quarteto Editora, 2005
- OLIVEIRA, J.H. Barros de; Oliveira, A.M. Barros (1996). Psicologia da educação escolar, Vol I, Aluno-Aprendizagem; Livraria Almedina, Coimbra
- OLIVEIRA, J.H. Barros de; Oliveira, A.M. Barros (1996). Psicologia da educação escolar, Vol II, Professor-ensino; Livraria Almedina, Coimbra
- PAPALIA, Diane; Olds, Sally (2001). O mundo da criança, MCGrawHill
- Postic, Marcel –A relação Pedagógica - Coimbra Editora, 1990
- SPRINTHAL, Norman A.; Collins, W. Andrews (1999). Psicologia do Adolescente, uma abordagem desenvolvimentista, 2ª edição, Fundação Calouste Gulbenkian, Serviço de Educação, Lisboa
- SPRINTHALL, N.; Sprinthall, R. (1993). Psicologia educacional. McGraw Hill
- VAYER, P. - O diálogo corporal. Socicultura, Lisboa, 1976
- VAYER, Pierre; Destrooper (1976). A dinâmica da acção educativa - para a infância, normal e/ou inadaptada, 2ª edição. Horizontes pedagógicos, Instituto Piaget
- VEIGA, F.(1995). Transgressão e autoconceito dos joves na escola - Investigação diferencial. Fim de Século Edições, Lisboa
- WEINER, Irving B. (1995). Perturbações psicológicas da adolescência. Fundação Calouste Gulbenkian, Serviço de Educação, Lisboa

Quem andou por aqui

Estadisticas y contadores web gratis
Estadisticas Gratis